Publicado em: 28/08/2020

No mundo sempre existiu dois tipos de pessoas: as que nasceram para fazer, construir, formar e outras que usufruem do que está pronto. No campo da educação, formação de pessoas e também na formação esportiva, esta divisão existe e a cada dia se torna mais evidente tornando estes dois lados mais distantes entre si no que diz respeito a sua visão de mundo.

Gostaria de abordar neste texto a questão dos treinadores formadores e dos técnicos que dirigem as equipes profissionais no futebol. Não há dúvida que muitos dos técnicos que atuam nas equipes profissionais iniciaram suas carreiras nas categorias de base formando atletas. Quanto à formação de jogadores, o trabalho com o jogador nunca está acabado, nunca é completo, pois todos sempre têm o que aprender, o que aperfeiçoar. O treinador formador se preocupa em passar os princípios do jogo não só nos aspectos técnicos do mesmo, mas uma formação integral do esporte, onde as dimensões cognitivas, afetivas e sociais são trabalhadas em conjunto. Não basta formar um atleta que execute bem os fundamentos, mas que não consegue ler o jogo, não sabe ser parte de um grupo, que se vê mais importante que a equipe ou que desrespeite os adversários e o próprio esporte que pratica. Talvez seja esse um dos problemas para que os treinadores de formação cheguem às equipes principais, nesta categoria na maioria dos casos os fins justificam os meios e os resultados dos jogos sendo positivos tudo o mais passa a ser o de menos. Um treinador realmente formador não se ilude com resultados imediatos nem com a vitória momentânea. O treinador formador se preocupa em passar os princípios do jogo não só nos aspectos técnicos do mesmo, mas uma formação integral do esporte, onde as dimensões cognitivas, afetivas e sociais são trabalhadas em conjunto. Não basta formar um atleta que execute bem os fundamentos, mas que não consegue ler o jogo, não sabe ser parte de um grupo, que se vê mais importante que a equipe ou que desrespeite os adversários e o próprio esporte que pratica. Talvez seja esse um dos problemas para que os treinadores de formação cheguem às equipes principais, nesta categoria na maioria dos casos os fins justificam os meios e os resultados dos jogos sendo positivos tudo o mais passa a ser o de menos. Um treinador formador não se ilude com resultados imediatos nem com a vitória momentânea. Para piorar a situação vemos que os treinadores de formação, são muito mal remunerados, trabalham em situações precárias e sobrevivem pelo ideal educativo. É a lógica de valorizar o que está pronto, sem atentar para a formação, para a nascente, sem perceber que a mina está secando. Estes técnicos de categoria principal em muitos casos apenas são administradores dos egos inflados dos jogadores, são envolvidos pela admiração da mídia e acabam descuidando-se de controlar seus próprios egos. Mas nem tudo é alegria, porque estes mesmos técnicos são obrigados a se sujeitar as vaidades dos diretores e presidentes (de clubes, federações e confederações) que tem o poder de demitir e contratar de acordo com suas convicções baseadas muitas vezes em indicações políticas e de amigos. Alguns técnicos de categoria principal, mais antenados com essa realidade que pouco valoriza a formação e enaltece a ponta da pirâmide, discursam enaltecendo o trabalho dos técnicos das categorias de base e da importância de um trabalho bem feito (mesmo sendo um discurso da boca para fora). Outros ainda mais “egocêntricos” desqualificam o trabalho de base culpando-o pelo fracasso do futebol brasileiro. 

O dilema está colocado:

Qual deve ser o objetivo dos técnicos?

Serem formadores enfrentando as inúmeras dificuldades na carreira ou tentarem alcançar o “estrelato” (???) dirigindo categorias principais?

Será uma sequência natural ''um do outro'' Será que educação integral e excelência são tão conflitantes?

 

Treinadores Formadores e Técnicos