Publicado em: 29/09/2017

Construir um jogar com cada vez mais intensidade, concentração e rapidez, tanto na tomada de decisão quanto na execução, eis o enigma do futebol no seu mais alto nível pensando no futuro. Dependendo das características do modelo de jogo, existe sempre jogadores, independentemente da sua qualidade que não são compatíveis com esse modelo. Um erro cometido por muitas equipes é contratar jogadores com base no seu estatuto e não nas suas características. Em termos técnicos é comum que dentro de uma equipe haja jogadores diferentes, por vezes é até fundamental, mas em termos mentais é preciso que todos pensem o jogo da mesma forma e que tenham a mesma cultura de jogo. Ao ter numa equipe que ataque em ataque posicional, um jogador que tenta sempre jogar longo para o extremo, vai comprometer a forma de jogar da equipe da mesma forma que ter um médio que gosta de temporizar o jogo numa equipe que jogue em ataque rápido e contra-ataque vai comprometer toda uma forma de jogar idealizada pelo Treinador.


É por tudo isto que os departamentos de prospecção dos clubes têm tão grande importância. Já não basta avaliar o jogador tecnicamente, é muito importante avaliá-lo taticamente e neste aspecto tático inclui-se a sua mentalidade. É comum verem-se jogadores com um rendimento fantástico num clube tornarem-se jogadores medianos noutro. Entre os aspectos responsáveis por isso acontecer, para além da auto-confiança do próprio jogador, estão as suas missões táticas que passam a ser diferentes. Por exemplo, um jogador que tem como a sua característica mais marcante a sua velocidade com e sem bola pode não ter o mesmo rendimento se for para um clube que assenta o seu jogo no último terço porque deixa de ter espaço para explorar as costas da defesa adversária; da mesma forma que um avançado cuja principal arma é o jogo aéreo dentro da área adversária não tira o melhor de si ao jogar numa equipe que usa constantemente transições rápidas para o ataque.


E não se pode moldar um jogador a um determinado estilo? Claro que sim mas para além de ser um processo moroso (os torcedores, dirigentes e patrocinadores no futebol não são conhecidos pela sua paciência), ao transformar um jogador ele deixa de ser aquele que foi contratado, vai passar a demonstrar outras características, outras tendências e pode deixar de ser aquele que suscitou o interesse inicial. O melhor exemplo que posso dar foi um que o professor Vítor Frade uma vez mencionou. O do Anderson do Manchester United que no Porto era um jogador fenomenal com uma criatividade e irreverência apaixonantes e depois se tornou mais sereno, mais europeu.


 

Construir uma equipe é como um puzzle